domingo, 7 de novembro de 2010

Mães" más"

“Divulgo este texto, que encontrei algures num café em Oeiras, como homenagem às mulheres (que na minha opinião) são grandes lutadoras pela sua emancipação contra a dominação machista.



Mães más

Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva uma mãe, eu hei-de dizer-lhes:

 Eu amei-te o suficiente… para te ter perguntado: onde vais, com quem vais e a que horas regressas a casa.

 Eu amei-te o suficiente… para ter insistido que juntasses o teu dinheiro e comprasses uma bicicleta para ti, mesmo que eu tenha tido hipótese de ta comprar.

 Eu amei-te o suficiente… para ter ficado em silêncio e deixar-te descobrir que o teu novo amigo não era boa companhia.

 Eu amei-te o suficiente… para te fazer pagar a pastilha que tiraste da mercearia e dizeres ao senhor: Eu roubei isto ontem e quero pagar.

 Eu amei-te o suficiente… para ter ficado em pé, junto de ti, duas horas, enquanto limpavas o teu quarto, tarefa que eu teria realizado em quinze minutos.

 Eu amei-te o suficiente… para te deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.

 Eu amei-te o suficiente… para te deixar assumir a responsabilidade das tuas acções, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.


Mais do que tudo, eu amei-te o suficiente… para te dizer não, quando eu sabia que me irias odiar por isso. Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci, porque no final, vocês venceram também.

E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais, tu vais-lhes dizer, quando eles perguntarem, se a tua mãe era má, …” que sim, era má, era a mãe mais má do mundo”.” Os outros miúdos comiam doces ao pequeno-almoço, nós tínhamos de comer cereais, ovos e tostas. Os outros miúdos ao almoço bebiam Pepsi e comiam batatas fritas, nós tínhamos de comer sopa, o prato e a fruta. E, não vais acreditar, a nossa mãe obrigava-nos a jantar à mesa, bem diferente das outras mães também. A nossa mãe insistia em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era quase como uma prisão. Ela tinha de saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Ela insistia que se lhe disséssemos que íamos sair por uma hora, demorássemos só uma hora ou menos. Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violou as leis do trabalho infantil, mandando-nos trabalhar. Nós tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Eu acho que ela nem dormia à noite, a pensar em coisas para nos mandar fazer. Ela insistia sempre connosco para lhe dizermos a verdade, só a verdade e apenas a verdade. Na altura em que éramos adolescentes, ela conseguia ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata. A mãe não deixava os nossos amigos tocarem à buzina para nós descermos. Tinham de subir, bater á porta, para ela os conhecer. Enquanto toda a gente podia sair á noite com 12,13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16. Por causa da nossa mãe, nós perdemos imensas experiências da adolescência.

Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação da propriedade, nem fomos presos por nenhum crime. Foi tudo culpa dela!”


Agora que já saímos de casa, nós somos todos adultos, honestos e educados. Estamos a fazer o nosso melhor, para sermos “ maus pais”, tal como a nossa mãe foi.


Nós achamos que este é um dos males do mundo: hoje não há suficientes mães más.