Introdução
Este é um trabalho reflexivo sobre os
processos do êxodo rural, imigração e emigração. Quais as causas e
consequências destes movimentos de deslocalização de seres nos países e no
mundo.
Eu,
pessoalmente vou “desfiar” os meus pensamentos e tentar “esmiuçar” algumas das
causas, que em meu entender são as principais razões que estão na génese destas
movimentações ininterruptas em todo o planeta.
Perseguições, Deslocações e Migrações!
As dos seres vivos sempre se realizaram
ao longo de milhões de anos. As suas origens prender-se-ão às necessidades
básicas de alimentação e certamente, também, climáticas.
A história da nossa
espécie remonta às migrações do Homo Erectus e posteriormente do Homo Sapiens,
saindo do sul e leste de África, para a Europa e Ásia. Há cerca de 200.000
anos, que a subespécie conhecida por Neandertal migrou até à Alemanha e à
Europa Ocidental. As migrações deram-se sob a forma de perseguições em rotas de
caça, problemas climáticos, conquistas de espaços de territórios ou espaços de
caça, migrações coloniais etc. Todos estes movimentos migratórios transformaram
ininterruptamente o planeta e desencadearam o processo de globalização natural.
Poderemos dizer que as migrações humanas
tiveram lugar em todos os tempos, e numa grande variedade de formas. Sob a
forma de conquista, como se alargou o império Romano ou sob a forma colonial da
Austrália e das Américas. Em todas estas movimentações estão presentes
contradições: a insuficiência de meios alimentares para as populações nesses
territórios e a colonização de outros espaços e de outros seres, já que essas
“ocupações” não foram pacíficas. Foram estas as condições objectivas, que
estiveram e estão na génese das grandes movimentações de seres vivos no
planeta.
Todas estas movimentações e fixação de
seres levaram à adaptação a locais, ao contacto com meios, naturalmente, mais
prósperos para a sua vivência e também para uma mais rápida evolução dos meios
de produção, acumulação de bens e desenvolvimento desigual dos locais e dos
seres.
Há milhões e milhares de anos, as
informações e as deslocações eram mais que lentas. As técnicas de
desenvolvimento eram escondidas, numa visão de grupo e de poder sobre os outros
grupos e territórios. Estes factores conjugados, refletiram-se e refletem-se no
desenvolvimento desigual das sociedades, dos países e dos continentes.
Revolução Industrial e Capitalismo: causas principais do êxodo Rural,
Imigração e Emigração!
A revolução industrial, sendo um acontecimento de
grande importância na evolução das formas de produção, foi também um
acontecimento que aprofundou mais os desequilíbrios nas sociedades da altura.
Porquê? Porque as indústrias apenas se fixaram
e centralizaram nas grandes cidades; a sua construção e desenvolvimento obedeceram
principalmente a interesses individuais e de grupo; porque as estruturas
governativas, na época e infelizmente até aos dias de hoje, foram e são
desprovidos de sentimentos e actuações de socialização dos meios de produção e
de ordenamento dos territórios, em função do bem da maioria dos seres vivos.
Essas indústrias foram um pólo de atracção de grandes quantidades de
camponeses. Sem respostas aos seus problemas de vida, começaram não individualmente,
mas massivamente à procura de trabalho e de melhores salários nas fábricas.
Em Portugal nos anos 60/70 houve um
grande e concentrado desenvolvimento industrial nas regiões de Lisboa e
Setúbal, principalmente. Este movimento deu-se com a abertura ao capital
internacional e às Multinacionais que aqui se fixaram. A Lisnave (Margueira) em
66 liderou o processo de atracção de deslocalização das populações, para estas
zonas litorais.
A Lei do” Mercado” é Anti – Social
Os governos fascistas de Salazar e
Caetano e depois os governos da República democrática foram incapazes de pensar
o país, em termos de ordenamento do território, descentralizando a fixação das indústrias,
organizando a agricultura, criando e organizando estruturas de recolha e
distribuição dos produtos, numa visão integrada e social da sociedade. Os
interesses individuais e de grupo continuaram a sobrepor-se aos da maioria dos
seres vivos.
O êxodo
rural e imigratório continuou, deixando ao abandono casas e terras e fizeram,
nas zonas do litoral, crescer cidades de barracas, guetos e zonas degradadas.
Os transportes que já eram insuficientes, mais insuficientes ficaram. As casas
que eram poucas e caras não chegavam para o número de pessoas e principalmente
as pessoas não tinham dinheiro para as
rendas, que as leis do mercado
capitalista impunham. Todas as infraestruturas, como esgotos redes de água,
luz, escolas, saúde etc., não davam resposta.
O deficiente e nulo ordenamento do
território, a falta de direcção e coordenação política no país e entre países e
continentes, são a lei do capitalismo.
Exploração até ao tutano
Eles não querem sociedades organizadas,
desenvolvimento harmonioso e equilibrado. O que lhes dá milhões são as
políticas de pilhagem das matérias-primas. O que lhes dá milhões são as
políticas de escravatura dos trabalhadores portugueses, chineses, indianos, vietnamitas
etc. Quando estes conseguirem impor mais direitos, melhores salários, eles
então vão virar-se para África e começar aí a investir, não para ajudar a
desenvolver esses países, mas sim para explorar a sua mão-de-obra.
Todas estas
formas de organização económica, social, militar, administrativa, cultural, são
o “cancro” das civilizações, das guerras, das desigualdades profundas, da
miséria, da fome e das mortes de milhões de cidadãos que, muitos nascem e morrem
sem nunca trabalharem. Não porque não queiram, mas porque nos seus espaços de
vivência não há.
Chegámos à situação em que se dá todo o
valor aos mercados financeiros. À defesa do dinheiro para uns quantos, lançando
milhões e milhões de seres na vida degradante, na miséria extrema e na morte.
O sistema capitalista, hoje já não
necessita de abrir valas comuns, porque isso custaria dinheiro que o mercado
não aconselha por ser um investimento não rentável, para as suas vítimas que
morrem a céu aberto por esses países fora. Os senhores cifrões, não têm
coração, no seu lugar têm o cifrão. Solidariedades não conhecem. Nem entre eles
próprios, pois quando algum deles está em má situação não o salvam, matam-no;
compram pelo preço mais baixo possível. Se for de borla, muito melhor.
Esta política sem rosto, mas sobretudo
sem coração, na ganância do lucro, de manter os elevados lucros à escala
mundial, cava cada dia que passa mais desigualdades. Hoje os seres vivos quase não têm por onde escolher uma vida melhor. Quando um país,
mesmo com o seu sistema (hoje são todos à escala do planeta) económico, está
quase na cova, fruto das suas políticas, eles, os financeiros, não o ajudam a
salvar. Eles emprestam, cobrando mais juros elevados, e quando desconfiam que os
seus parceiros não têm condições de pagar, deixam-nos cair, não emprestam mais
dinheiro. Mas de quem é o dinheiro que eles dizem emprestar? É dos cidadãos. É
dos impostos que cada cidadão paga. Os financeiros, através dos governos dos
países por esse mundo fora, foram roubar o dinheiro dos nossos impostos, quando
estavam em risco de falência, devido aos seus negócios especulativos.
Esta é também uma das grandes
contradições do sistema capitalista. Na sua política de sugar, sugar, vão matando
tudo à sua volta, seres e planeta, mas vão também cavando o buraco onde vão
inevitavelmente cair. Qual é o buraco? É o da revolta humana contra este
sistema vampírico, desumano, ignóbil e anti - solidário.
Foi e é este sistema de ideias que tem
sido a causa principal dos êxodos rurais, das imigrações e emigrações. As pessoas
fogem dos lugares onde estão, porque não tendo trabalho, não tendo ajudas
suficientes para manter as suas famílias, terão que se deslocar para outros
(cada vez menos) locais com a esperança de encontrar melhores condições de
sobrevivência.
Outras deslocar-se-ão por motivos
políticos, religiosos, sexuais, culturais etc. Mas a sua grandeza é diminuta.
O desemprego, a falta de ajudas, a
redução nos direitos e nas ajudas, as casas que não se conseguem pagar, as
rendas de casa incomportáveis quando há milhares de casas fechadas e
desocupadas, a falta de trabalho, quando há no planeta tanto para fazer e para
o salvar da gula do capitalismo financeiro, é o Tsunami que temos que vencer.
O capitalismo financeiro vive da desorganização das
sociedades, da divisão social, do desregulamento das sociedades, da anarquia e
do caos. Eles são os descendentes de Hitler. Matam as pessoas, mas agora nas
suas próprias casas, nas barracas, nas ruas ou nos campos.
Não precisam de “gastar” dinheiro a
construir campos de concentração, assim são mais dissimulados nas formas; as
mortes parecem naturais, mas os objectivos são os mesmos. Eles são os seres
“superiores”. Todos os outros seres são a carne para alimentar a sua máquina de
obtenção de lucro máximo. Esta máquina (capitalismo financeiro) é a principal
causa de todos os desequilíbrios nos países, à escala global e por inerência,
todos os males que os seres vivos sofrem no planeta.
A solução não é matarmo-nos, não é
expulsar seres deste ou daquele país, não será ir embora para outro país
(podemos ir), mas sim, aqui e em todos os países, ou seja, globalmente no
planeta, dizer BASTA E ORGANIZARMO-NOS SOCIALMENTE. Esse movimento já existe em
cada país. Ele é a consciência de que tudo o que existe no planeta é para
servir todos os seres do planeta. O sol, como tudo o resto no planeta, é de
todos, para servir todos e não é pertença de alguns.
Dirão que estou a sonhar, que sou um
sonhador. Pois sou um cidadão do mundo que sonha com um mundo solidário. Com um
mundo em que cada cidadão deverá ter da sociedade tudo o que necessitar e dará
à sociedade tudo o que puder dar.
Enquanto puder, vou continuar a sonhar,
porque “ O SONHO COMANDA A VIDA E SEMPRE QUE UM HOMEM SONHA, O MUNDO PULA E
AVANÇA”. Por isso “ANDA VAMOS EMBORA QUE O ESPERAR NÃO É SABER, QUEM SABE FAZ A
HORA, NÃO ESPERA ACONTECER”.
Francisco Tomás
Seixal Janeiro de 2013