sexta-feira, 19 de abril de 2013

FUTURO É APENAS UM DESEJO!



O MEU PENSAMENTO DE HOJE!


Esta minha afirmação é baseada e sustentada, num episódio por mim vivido há dezasseis anos.
Até esse dia, 04 de Janeiro de 1995, também eu falava com convicção no “Futuro”.
Também eu vivia com ilusão de fazer projectos para o dito “Futuro”.
Também eu pensava para além do momento objectivo, em que pensava, em que projectava, em que previa, em que, no fundo desejava que um dia mais tarde fosse possível existir uma realidade objectiva, como estava a idealizar.
Eu, nesses anos idos, também rotulava de “Futuro” uma possível situação que nunca seria mais do que um desejo.
Qual o facto real e objectivo, vivido no passado, que me levou a adquirir uma nova consciência? Uma embolia pulmonar múltipla. Ou seja, faço parte de 1% dos que sobrevivem a um tal estado.
Eu, sou daqueles que vão e voltam á velocidade da luz. Ou seja, ou morrem ou ficam.
Tive a sorte de ficar e por esse facto, a partir daí, adquiri a consciência de que a realidade é o presente, é uma realidade viva, é viver e pensar dia a dia.
O chamado “futuro”, e tudo o mais para além do momento em que estamos vivos, não é mais do que um desejo subjectivo, um idealismo.
O chamado “Futuro” não é mais do que um pensamento que quem a formula, gostaria de chegar lá.
O chamado “ Futuro” não é mais do que um sonho pelo qual, qualquer um desejaria de viver.
O chamado “ Futuro” não é mais do que uma previsão que gostaria viver como o presente.
Mais, se o mundo é composto de mudança e toda a matéria está em ininterrupta mudança, como será possível afirmar que o “Futuro” é ou pode vir a ser, esta ou aquela realidade?
Numa mudança ininterrupta, não há estados imutáveis, logo, cada estado será sempre diferente, assim como a forma de resolução será diferente.
Na minha modesta opinião, cientificamente, o chamado “Futuro”, não tem sentido e é uma "perda" de tempo, ou seja, é um tempo que não é mais do que um sonho.

Francisco Tomás
Seixal19/04/2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

MIGRAÇÕES




 


Introdução


Este é um trabalho reflexivo sobre os processos do êxodo rural, imigração e emigração. Quais as causas e consequências destes movimentos de deslocalização de seres nos países e no mundo.
            Eu, pessoalmente vou “desfiar” os meus pensamentos e tentar “esmiuçar” algumas das causas, que em meu entender são as principais razões que estão na génese destas movimentações ininterruptas em todo o planeta.

Perseguições, Deslocações e Migrações!

As dos seres vivos sempre se realizaram ao longo de milhões de anos. As suas origens prender-se-ão às necessidades básicas de alimentação e certamente, também, climáticas.
A história da nossa espécie remonta às migrações do Homo Erectus e posteriormente do Homo Sapiens, saindo do sul e leste de África, para a Europa e Ásia. Há cerca de 200.000 anos, que a subespécie conhecida por Neandertal migrou até à Alemanha e à Europa Ocidental. As migrações deram-se sob a forma de perseguições em rotas de caça, problemas climáticos, conquistas de espaços de territórios ou espaços de caça, migrações coloniais etc. Todos estes movimentos migratórios transformaram ininterruptamente o planeta e desencadearam o processo de globalização natural.
Poderemos dizer que as migrações humanas tiveram lugar em todos os tempos, e numa grande variedade de formas. Sob a forma de conquista, como se alargou o império Romano ou sob a forma colonial da Austrália e das Américas. Em todas estas movimentações estão presentes contradições: a insuficiência de meios alimentares para as populações nesses territórios e a colonização de outros espaços e de outros seres, já que essas “ocupações” não foram pacíficas. Foram estas as condições objectivas, que estiveram e estão na génese das grandes movimentações de seres vivos no planeta.
Todas estas movimentações e fixação de seres levaram à adaptação a locais, ao contacto com meios, naturalmente, mais prósperos para a sua vivência e também para uma mais rápida evolução dos meios de produção, acumulação de bens e desenvolvimento desigual dos locais e dos seres.
Há milhões e milhares de anos, as informações e as deslocações eram mais que lentas. As técnicas de desenvolvimento eram escondidas, numa visão de grupo e de poder sobre os outros grupos e territórios. Estes factores conjugados, refletiram-se e refletem-se no desenvolvimento desigual das sociedades, dos países e dos continentes.


Revolução Industrial e Capitalismo: causas principais do êxodo Rural, Imigração e Emigração!

A revolução industrial, sendo um acontecimento de grande importância na evolução das formas de produção, foi também um acontecimento que aprofundou mais os desequilíbrios nas sociedades da altura. Porquê? Porque as indústrias apenas se fixaram e centralizaram nas grandes cidades; a sua construção e desenvolvimento obedeceram principalmente a interesses individuais e de grupo; porque as estruturas governativas, na época e infelizmente até aos dias de hoje, foram e são desprovidos de sentimentos e actuações de socialização dos meios de produção e de ordenamento dos territórios, em função do bem da maioria dos seres vivos. Essas indústrias foram um pólo de atracção de grandes quantidades de camponeses. Sem respostas aos seus problemas de vida, começaram não individualmente, mas massivamente à procura de trabalho e de melhores salários nas fábricas.
 Em Portugal nos anos 60/70 houve um grande e concentrado desenvolvimento industrial nas regiões de Lisboa e Setúbal, principalmente. Este movimento deu-se com a abertura ao capital internacional e às Multinacionais que aqui se fixaram. A Lisnave (Margueira) em 66 liderou o processo de atracção de deslocalização das populações, para estas zonas litorais.

A Lei do” Mercado” é Anti – Social

Os governos fascistas de Salazar e Caetano e depois os governos da República democrática foram incapazes de pensar o país, em termos de ordenamento do território, descentralizando a fixação das indústrias, organizando a agricultura, criando e organizando estruturas de recolha e distribuição dos produtos, numa visão integrada e social da sociedade. Os interesses individuais e de grupo continuaram a sobrepor-se aos da maioria dos seres vivos.
O êxodo rural e imigratório continuou, deixando ao abandono casas e terras e fizeram, nas zonas do litoral, crescer cidades de barracas, guetos e zonas degradadas. Os transportes que já eram insuficientes, mais insuficientes ficaram. As casas que eram poucas e caras não chegavam para o número de pessoas e principalmente as pessoas não tinham dinheiro para as
 
rendas, que as leis do mercado capitalista impunham. Todas as infraestruturas, como esgotos redes de água, luz, escolas, saúde etc., não davam resposta.
O deficiente e nulo ordenamento do território, a falta de direcção e coordenação política no país e entre países e continentes, são a lei do capitalismo.

Exploração até ao tutano

Eles não querem sociedades organizadas, desenvolvimento harmonioso e equilibrado. O que lhes dá milhões são as políticas de pilhagem das matérias-primas. O que lhes dá milhões são as políticas de escravatura dos trabalhadores portugueses, chineses, indianos, vietnamitas etc. Quando estes conseguirem impor mais direitos, melhores salários, eles então vão virar-se para África e começar aí a investir, não para ajudar a desenvolver esses países, mas sim para explorar a sua mão-de-obra.
Todas estas formas de organização económica, social, militar, administrativa, cultural, são o “cancro” das civilizações, das guerras, das desigualdades profundas, da miséria, da fome e das mortes de milhões de cidadãos que, muitos nascem e morrem sem nunca trabalharem. Não porque não queiram, mas porque nos seus espaços de vivência não há.
Chegámos à situação em que se dá todo o valor aos mercados financeiros. À defesa do dinheiro para uns quantos, lançando milhões e milhões de seres na vida degradante, na miséria extrema e na morte.
O sistema capitalista, hoje já não necessita de abrir valas comuns, porque isso custaria dinheiro que o mercado não aconselha por ser um investimento não rentável, para as suas vítimas que morrem a céu aberto por esses países fora. Os senhores cifrões, não têm coração, no seu lugar têm o cifrão. Solidariedades não conhecem. Nem entre eles próprios, pois quando algum deles está em má situação não o salvam, matam-no; compram pelo preço mais baixo possível. Se for de borla, muito melhor.
Esta política sem rosto, mas sobretudo sem coração, na ganância do lucro, de manter os elevados lucros à escala mundial, cava cada dia que passa mais desigualdades. Hoje os seres vivos quase não têm por onde escolher uma vida melhor. Quando um país, mesmo com o seu sistema (hoje são todos à escala do planeta) económico, está quase na cova, fruto das suas políticas, eles, os financeiros, não o ajudam a salvar. Eles emprestam, cobrando mais juros elevados, e quando desconfiam que os seus parceiros não têm condições de pagar, deixam-nos cair, não emprestam mais dinheiro. Mas de quem é o dinheiro que eles dizem emprestar? É dos cidadãos. É dos impostos que cada cidadão paga. Os financeiros, através dos governos dos países por esse mundo fora, foram roubar o dinheiro dos nossos impostos, quando estavam em risco de falência, devido aos seus negócios especulativos.




Esta é também uma das grandes contradições do sistema capitalista. Na sua política de sugar, sugar, vão matando tudo à sua volta, seres e planeta, mas vão também cavando o buraco onde vão inevitavelmente cair. Qual é o buraco? É o da revolta humana contra este sistema vampírico, desumano, ignóbil e anti - solidário.
Foi e é este sistema de ideias que tem sido a causa principal dos êxodos rurais, das imigrações e emigrações. As pessoas fogem dos lugares onde estão, porque não tendo trabalho, não tendo ajudas suficientes para manter as suas famílias, terão que se deslocar para outros (cada vez menos) locais com a esperança de encontrar melhores condições de sobrevivência.
Outras deslocar-se-ão por motivos políticos, religiosos, sexuais, culturais etc. Mas a sua grandeza é diminuta.
O desemprego, a falta de ajudas, a redução nos direitos e nas ajudas, as casas que não se conseguem pagar, as rendas de casa incomportáveis quando há milhares de casas fechadas e desocupadas, a falta de trabalho, quando há no planeta tanto para fazer e para o salvar da gula do capitalismo financeiro, é o Tsunami que temos que vencer.
O capitalismo financeiro vive da desorganização das sociedades, da divisão social, do desregulamento das sociedades, da anarquia e do caos. Eles são os descendentes de Hitler. Matam as pessoas, mas agora nas suas próprias casas, nas barracas, nas ruas ou nos campos.
Não precisam de “gastar” dinheiro a construir campos de concentração, assim são mais dissimulados nas formas; as mortes parecem naturais, mas os objectivos são os mesmos. Eles são os seres “superiores”. Todos os outros seres são a carne para alimentar a sua máquina de obtenção de lucro máximo. Esta máquina (capitalismo financeiro) é a principal causa de todos os desequilíbrios nos países, à escala global e por inerência, todos os males que os seres vivos sofrem no planeta.
A solução não é matarmo-nos, não é expulsar seres deste ou daquele país, não será ir embora para outro país (podemos ir), mas sim, aqui e em todos os países, ou seja, globalmente no planeta, dizer BASTA E ORGANIZARMO-NOS SOCIALMENTE. Esse movimento já existe em cada país. Ele é a consciência de que tudo o que existe no planeta é para servir todos os seres do planeta. O sol, como tudo o resto no planeta, é de todos, para servir todos e não é pertença de alguns.
               



Dirão que estou a sonhar, que sou um sonhador. Pois sou um cidadão do mundo que sonha com um mundo solidário. Com um mundo em que cada cidadão deverá ter da sociedade tudo o que necessitar e dará à sociedade tudo o que puder dar.
Enquanto puder, vou continuar a sonhar, porque “ O SONHO COMANDA A VIDA E SEMPRE QUE UM HOMEM SONHA, O MUNDO PULA E AVANÇA”. Por isso “ANDA VAMOS EMBORA QUE O ESPERAR NÃO É SABER, QUEM SABE FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER”.

Francisco Tomás
Seixal Janeiro de 2013