segunda-feira, 13 de junho de 2011

A luta entre contrários



Acredito que sábado dia 12 de Março vá sair às ruas de várias cidades portuguesas, milhares de jovens que, desde que nasceram, ainda não tiveram a simples oportunidade de experimentar um emprego.
Acredito que vão sair às ruas milhares de outros jovens, que desde que começaram a trabalhar, não conseguem sair da precariedade do emprego que se abate sobre eles limitando-os em todos os seus direitos enquanto cidadãos e trabalhadores.
Acredito que vão sair às ruas todos estes precários e muitos outros que, embora trabalhem com emprego dito estável, de estável pouco têm devido às leis que vão sendo vomitadas pelo governo e patrões.
Acredito que vão sair às ruas muitos dos700 mil precários inscritos no IEFP, tenham eles ou não subsídio de desemprego.
Acredito que vão sair às ruas milhares de cidadãos, para gritar a sua revolta contida que após uma vida de trabalho e sacrifício, só conseguiram amealhar sofrimento, doença e miséria para além de receios constantes de ficar sem o emprego.
Acredito que vão sair às ruas milhares de funcionários Públicos que foram atraídos e enganados para um emprego que lhes garantiram ao longo de uma vida que seria estável, mas que afinal é tão precário como os precários capitalistas.
Acredito que vão sair às ruas milhares de cidadãos imigrantes, legais ou ilegais, porque a precariedade é igual para todos.
Acredito que vão sair às ruas cidadãos que se revoltam por serem tratados como números, como se não tivessem vida, como se não tivessem sonhos, como se não tivessem família, como se não tivessem cidadania, como se não tivessem afectos, como se não tivessem idade, como se não tivessem pensamentos etc.
Acredito que vão sair às ruas milhares de vítimas da pobreza, contrários da riqueza.
Acredito que vão sair às ruas milhares de cidadãos com vidas miseráveis que são o contrário da opulência capitalista.
Acredito que vão sair às ruas muitos milhares de cidadãos sofridos, cansados de serem explorados e dominados pelos vis interesses dos capitalistas e dos seus moços de recado, instalados nos vários e sucessivos governos pós 25 de Abril.
Acredito que vamos ser muitos milhares que nas ruas de Portugal, já no dia 12 de Março, vamos gritar a plenos pulmões que estamos fartos das vidas de miséria e que queremos manter a nossa dignidade mas com todos os direitos de cidadãos de corpo inteiro.
Acredito que as Manifestações de dia 12 de Março vão ser o aquecimento para as de dia 19 de Março e caminharmos até onde as nossas consciências nos permitirem.
Disse o cantor “Anda, vamos embora, que o esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”
Francisco Tomás

Seixal, 07 de Março de 2011

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