sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A crise da Família é fruto da crise do capitalismo






Chegados ao final do ano de 2014, dou início a uma reflexão sobre a tão propalada crise da “família”. Aqui publico uma primeira parte dessa reflexão.

Reflexão 1ª parte

Ao longo da evolução humana, a família não existiu sempre, tal como a conhecemos hoje, assim como o Estado não existiu sempre.
Com a Revolução Industrial e a instauração do sistema de produção, o sistema capitalista objectivamente dividi-o a sociedade em classes sociais com interesses irremediavelmente opostos.
Com o desenvolvimento das forças produtivas, a sociedade foi organizando numerosos organismos para defender e controlar o aumento das riquezas. Criaram meios coercivos do Estado, constituíram um enorme aparelho para manter os seus privilégios.
Criaram o exército, polícia, tribunais e sistema judicial e prisional como órgãos repressivos para produzir e aplicar leis defendendo a sua propriedade privada.
Criaram um sistema educativo e religioso para formarem e educarem as famílias, á luz dos direitos e dos privilégios das classes dirigentes do Estado e dos capitalistas.
A família tornou-se, assim, um foco de exploração e opressão.
Ao longo da história, da evolução e também das crises do sistema capitalista, a família, tornou-se, “de repente” no centro das atenções.
Esta crise económica manifesta-se, no seio da família, nas relações entre casais, assim como entre pais e filhos.
A crise no seio da família pode, e tem vindo a, tomar várias e inúmeras formas. São exemplos os dramas das violências domésticas, que de domésticas só tem o nome, pois são públicas, os dramas das separações, com divórcios ou sem eles, no papel, os abandonos das mães solteiras, os conflitos entre sogros, os conflitos entre pais e filhos, os conflitos entre irmãos, as guerras que se desencadeiam na disputa das heranças, os abandonos dos velhos nos hospitais, nas casas e nos asilos, jogados para o poço da solidão e do esquecimento.
Os jornais, revistas, televisões e cinema dão-se ao luxo de fazer espetáculos e ganharem rios de dinheiro à custa destes dramas humanos, gerados pelo seu próprio sistema económico capitalista.
É evidente a profunda crise no seio da família, mas quais as suas causas? Qual a sua raiz? Como acabar com esta crise? Qual o remédio para erradicar o mal?
As classes dirigentes e privilegiadas do(s) Estado(s) reúnem pelo mundo fora, gastando milhões e milhões dos dinheiros públicos, mas nada resolvem a favor dos indivíduos e das famílias.
As medidas que vão tomando são sempre no sentido de manter a ameaça, aos seus privilégios, o mais longe possível.
Sendo evidente e profunda a crise da família, as explicações e os remédios multiplicam-se. As revistas, sobretudo as destinadas às mulheres, abundam em conselhos para manter a harmonia no lar ou para a educação das crianças. Psiquiatras, Psicólogos, médicos, e tantos outros técnicos ligados ao ensino, manifestam-se preocupados, mais com a juventude delinquente, e tentam travar o mal. O menos que se pode dizer é que os resultados são ilusórios, ainda, ainda que certos estudos revelados frequentemente, possam ser interessantes e até úteis.
No meio desta confusão, destas tentativas, devemos reparar que o próprio princípio de família nunca é contestado. Parece que se considera a família como uma instituição que sempre existiu desde sempre, que os cuidados com as crianças incumbem necessariamente aos pais, que devem ver aí a sua preocupação essencial.
Na verdade, os padrões da família variaram ao longo dos séculos, como qualquer evolução humana, e cada sociedade procurou a que lhe parecia melhor adaptada às suas necessidades e, em seguida, dedicou-se a conservá-la sem alteração. Em todos os casos, a família, tem permanecido sempre como a base da vida social e, é a instituição mais respeitada, pela razão bem evidente que é através dela que tem sido assegurada a continuidade da espécie. A sacralização da família, consciente ou inconscientemente, está profundamente enraizada no espirito da esmagadora maioria e é por isso que qualquer ofensa que tem por objecto a base da família aparece como um sacrilégio.
No entanto, se a organização da família tem uma base material, a ideologia familiar é uma superstrutura, e é necessário pensar, com exatidão, que sofrerá, por sua vez, uma transformação total com a mudança das bases económicas da sociedade.
Não será errado afirmar que, a crítica da família não fere apenas interesses e tradições enraizadas, assim como sentimentos profundos, aos quais a maioria dos indivíduos se sente ligados. Assim sendo, apesar de todas as suas fraquezas, conflitos e guerras, a família, ainda se, mantem o centro de apoio, segurança e afecto. A dedicação natural dispensada às crianças permite à mulher a satisfação do seu instinto maternal, fazendo-a sentir a sua importância, sendo que, também a criança, no seu início de vida, apenas pode continuar a existir graças à ternura, aos afetos e aos sacrifícios que a mãe faz pela criança. A mulher gera a criança, trá-la ao mundo, mas ainda tem que lhe ensinar gestos, hábitos e comportamentos que a devem preparar para o caminho da adolescência e até atingir a fase adulta.
Tudo isto porque a sociedade não está à altura de a substituir num grande número de funções, a mãe, principalmente, prolonga, por muito tempo, a protecção, vigilância e sacrifícios, e desta forma reforça os laços que a ligarão sempre aos filhos. Não podendo ensinar senão o que sabe, a mãe ensina a sua visão de costumes, de crenças, o comportamento social que ela própria herdou, e desempenha, deste modo, um papel decisivo na transmissão de hábitos sociais: este é o mais poderoso meio de persistência da tradição. Dai afirmar-se que “cada indivíduo é produto do meio onde vive”.

Sem comentários:

Enviar um comentário